A história do Soalheiro começou em 1974, quando João António Cerdeira, com a ajuda dos seus pais e da sua mulher, Palmira Cerdeira, decidiu arriscar e plantar a primeira vinha contínua de Alvarinho em Melgaço. Essa parcela, que deu nome à marca, foi o ponto de partida para um caminho cheio de paixão e pioneirismo. Em 1982, nasceu a adega e com ela o primeiro vinho “Clássico”, que ainda hoje continua a ser um símbolo da identidade da marca.
Hoje, a primeira vinha da família está no coração da manta de retalhos que cobre Monção e Melgaço — uma paisagem única, feita de pequenas parcelas de Alvarinho, cada uma com a sua história, cada uma com a mesma raiz profunda nesta terra.
Aqui vive o minifúndio. Para muitos viticultores, o Alvarinho é muito mais que um part-time — é paixão que floresce ao fim de tarde e aos fins de semana, é o rendimento complementar que ajuda a segurar famílias, é um elo que une a comunidade. É também resistência: contra a litoralização, contra a emigração, a favor de um futuro com mais coesão social e territorial.
O Soalheiro é parte dessa teia de histórias. Hoje reúne mais de 200 famílias, entre a equipa e o Clube de Viticultores. E continua, com orgulho, a ser uma empresa familiar, agora conduzida por mãe e filha, Palmira e Maria João Cerdeira. Em 2024, António Luís Cerdeira — filho e irmão — cedeu as suas quotas do Soalheiro e começou um novo projeto de vinhos ao lado do filho Manuel.
O Alvarinho de Monção e Melgaço é hoje reconhecido como um dos grandes vinhos brancos do mundo. Mas o seu potencial ainda está longe de estar esgotado. A diversidade da viticultura familiar e das condições naturais únicas de Monção e Melgaço são o ponto de partida para uma busca sem fim: valorizar o Alvarinho, valorizar o território, valorizar as pessoas.
Essa busca traduz-se na Cave da Inovação, onde exploram os limites da casta; no projeto de enoturismo, que acolhe o mundo sem perder a essência familiar; e no universo das plantas aromáticas, com as infusões The Pur Terroir, que revelam sabores e aromas desta mesma terra.
É este o ciclo virtuoso de inovação e sustentabilidade que começou em 1974, quando se plantou a primeira vinha, num tempo em que pouco se falava de inovação e de sustentabilidade, já se vivia aqui, em cada gesto e em cada escolha, uma atitude que resiste ao tempo: avançar com os pés bem assentes nesta terra.
O Soalheiro é a primeira marca de Alvarinho em Melgaço. Como o trabalho se concentra nesta única variedade, precisam de diferentes dimensões de uva para criar diferentes dimensões de vinhos. É por isso que o Clube dos Produtores é tão importante para a marca, pois é a melhor forma de fomentar práticas vitícolas diversas com o mesmo foco: as melhores uvas, o melhor Alvarinho. Como resultado, os vinhos provêm de clones variados da casta Alvarinho que melhoram a diversidade de aromas e sabores. O nosso segredo é a união de diversas formas de produção da uva Alvarinho, em diferentes solos e micro terroirs por diferentes pessoas que, por sua vez, ampliam o conhecimento e o potencial desta casta.
Acima de tudo, o conceito do Clube dos Produtores é baseado na sustentabilidade social e económica da região. Com esta estratégia, o objetivo é garantir que as famílias da região transmitam a cultura, as tradições às gerações seguintes, mantendo um forte vínculo com as suas terras. O Clube de Produtores também permite acompanhar práticas de viticultura sustentável de todas as famílias que são nossas parceiras, sendo esta cooperação fundamental atingir os requisitos de qualidade.
Aguardente Bagaceira Velha Soalheiro Alvarinho, É produzido por destilação das películas após a prensagem do Alvarinho no Soalheiro. Antigamente, todos os produtores de uva faziam pequenas destilações para consumo próprio e nós não somos diferentes. Nos primeiros tempos da nossa adega, João António Cerdeira criou uma bagaceira de qualidade que envelheceu durante muitos anos em barricas de
carvalho. Depois de a provar todos os anos consecutivamente, o nosso enólogo decidiu que a Aguardente Bagaceira Velha Alvarinho iria beneficiar de, pelo menos, 20 anos de envelhecimento. A aguardente envelhece em barricas de carvalho, dos quais extrai a cor e estrutura e que lhe complementam o aroma intenso da casta Alvarinho.
Notas de Prova: Cor Topazio. Aroma complexo simultaneamente delicado e perfumado. No palato revela um equilíbrio perfeito entre a natureza aromática do Alvarinho e o envelhecimento prolongado em carvalho.