O Paço dos Cunhas de Santar, O primeiro Senhor de Santar que aparece documentado foi Diogo Soares de Albergaria, também conhecido por Diogo Soares ”O Velho”, senhor dos concelhos de Senhorim, Óvoa e Barreiro. Na crise dinástica de 1383-85, Diogo Soares ”O Velho” tomou o partido de Castela, tendo sido despojado de todos os seus bens pelo rei D. João I. No entanto, D. João I viria a dar todo este património a Fernão Gonçalves de Figueiredo, como dote pelo casamento com a bela Catarina Dias Soares, filha de Diogo Soares ”o velho”. Por carta de 12 de Agosto de 1387, D. João I fez-lhe a doação de Santar e da terra do Barreiro, com seus termos, pertenças e foros e com toda a sua jurisdição cível e crime, mero e misto império, só com ressalva do direito de correição.
Foi D. Pedro da Cunha, bisneto de Luís da Cunha, em 1609 que ergueu o Paço dos Cunhas. A fachada original de entrada para o emblemático pátio do edifício continua de pé até hoje e mantém intocada. O Pórtico renascentista da fachada original do Paço dos Cunhas de Santar possui dois brasões esculpidos em pedra de Ançã. No início do século XX, o Paço dos Cunhas foi comprado por José Caetano dos Reis, pai de Francisco Coelho do Amaral Reis, Visconde de Pedralva, e de Manuel Casimiro Coelho do Amaral Reis, proprietário da Casa do Soito, posteriormente integrada no Paço dos Cunhas de Santar.
É uma propriedade vinícola histórica localizada na vila de Santar, na região do Dão, a propriedade é conhecida por sua tradição na produção de vinho e azeite.
A Vinha do Contador, com o património natural de castas ali plantadas, e o Tempo, esse imaterial património que contribui para que tudo seja melhor. O tempo que passa é algo que não se dá conta e não sabemos a sua exata medida. É o tempo suficiente. O tempo nunca passa depressa nem devagar. O tempo passa ao minuto, à hora, ao dia, e ao ano. As quatro estações são a marca que o tempo deixa. É no fim de cada ciclo da videira que o vinho nasce e, por isso, é de outono a outono que contamos o tempo. No Paço dos Cunhas não há pressa. É este o tempo que um Vinha do Contador tem que esperar. Enquanto esperamos que um fique pronto, preparamos o seguinte. Cultivamos a vinha que, em modo biológico, nos obriga a cuidar mais, a olhar mais por ela, a proteger as suas plantas. E esperamos que as montanhas ajudem a vinha, protegendo-a dos ventos, e dando-lhe apenas as necessárias horas de sol, nem mais, nem menos, horas de um sol que nasce por detrás da Serra da Estrela e se põe, para além do Caramulo.
Dentro dos muros do Paço dos Cunhas preserva-se um espaço único,
onde o isolamento do mundo exterior protege a autenticidade do terroir.
Paço dos Cunhas Clos de Santar 2020, Dentro dos muros seculares do Paço dos Cunhas existe um lugar onde o mundo abranda. Um espaço protegido, onde apenas a natureza entra e onde a vinha cresce resguardada pelo silêncio e pelo tempo. É deste património que nasce o Clos de Santar: de uma vinha reservada, onde terra, clima e história se encontram em perfeita harmonia. A sustentabilidade, o respeito pelos ciclos naturais e a paciência de quem sabe esperar moldam cada colheita. O vinho nasce assim: da escuta da terra, do tempo que se respeita e do silêncio que protege aquilo que é raro. Cada garrafa é a expressão íntima deste lugar singular, onde a autenticidade se revela apenas a quem sabe reconhecê-la.
Notas de Prova: Cor Rubi profundo de grande intensidade. Aroma complexo, com notórios frutos de bosque bem maduros, ligeiras notas de madeira de excelente qualidade (provenientes do seu longo estágio em barrica) e de alecrim. Tudo em perfeita harmonia. Na boca é elegante, com evidentes notas de frutos silvestres, acidez (frescura) viva e bem integrada. O seu final é longo e cativante.