A Herdade da Aldeia de Cima é um projeto relativamente recente, mas profundamente enraizado na tradição vitivinicola do Alentejo, remonta à época romana na região da Vidigueira
Santana é uma pequena aldeia no concelho de Portel, junto à antiga estrada romana entre Évora e Beja, que faz fronteira com a Vidigueira, no limite sul do Alto Alentejo. "Sant'Anna da Serra do Mendro" é mencionada pela primeira vez no séc XVIII, após a remodelação da igreja medieval, entre "duas aldeyas que lhe chamam huma a de Baxo, outra a de Sima", de acordo com as Memórias Paroquiais de Portel, Vila Viçosa, de 1722 a 1832. O povoado de "Sima", referenciado em 1758, terá dado origem à Herdade Aldeia de Cima.
A Herdade nasce com o objetivo de reinterpretar esse legado com uma visão atual e de valorizar o território único da Vidigueira, uma zona históricamente reconhecida pela produção de vinhos frescos e equilibrados dentro do Alentejo. Esta região beneficia da influência da Serra do Mendro, que atua como barreira natural, criando um microclima mais fresco e com maior retenção de humidade privilegiando a elegância e a acidez nos vinhos.
O projeto assenta numa abordagem de respeito pela natureza e autenticidade do lugar, valorizando as castas tradicionais, o mínimo de intervenção e a expressão fiel do terroir, apostando numa viticultura consciente e sustentável por forma a preservar o equilíbrio natural dos solos, das vinhas e dos ecosistemas existentes.
Aldeia de Cima Myndru 2021, Em 2019, a vindima de duas pequenas courelas — Cevadeira e Zorreira — no sopé da Serra do Mendro deu origem ao Myndru. A vinha velha, em viticultura de sequeiro, é composta por castas tintas tradicionais — Alfrocheiro, Tinta Grossa e Trincadeira — com uma produção muito reduzida, de apenas 0,75 kg por cepa. Os solos granitoides do complexo eruptivo da Vidigueira, em transição para os xistos mais elevados, conferem ao vinho uma identidade muito particular.
Notas de Prova: Cor Rubi aberto. Castas antigas de pelicula fina, cor trasnlúcida, taninos redondos, no Myndru sentimos a tradição e a tipicidade, os aromas finos e delicados das frutas vermelhas cultivadas em solos pardos poucos estruturados de clima fresco, e notas balsâmicas a carrasco e esteva. A transparência das uvas delicadamente acobreadas em ânforas de gesso e barro, mostram a textura e o perfume dos laranjais cultivados mais abaixo junto à ribeira. A gravidade do Alfrocheiro, a suculência e a viscosidade da Tinta Grossa formam sensações que nos povoam a memória e nos trazem à lembrança vinhos que ecoam vozes primitivas. No final, a percepção mineral e a tensão da Baga assumem uma firmeza surpreendente